quarta-feira, novembro 08, 2017

Entradas na Barra da Figueira


Será a barra mais próxima de Aveiro, talvez agora a do Douro, mais praticável há pouco, a suplante, mas é sempre emocionante a sua entrada.
As velejadas (às vezes motoradas) até à Figueira são, normalmente, muito agradáveis e acabam quase sempre à mesa da Rosa Amélia ou do Ceporteng.
Ainda lá irei este ano....



Da Serra da Boa viagem, a arribar ao Mondego


Já dentro do Mondego, a todo o pano


Este ano, de regresso da Berlenga, a manobrar para a entrada na doca




segunda-feira, outubro 30, 2017

Veronique, o Inicio

O estaleiro naval do mestre Alberto, praticamente dentro da cidade de Aveiro, ganhou fama mundial pela qualidade dos seus trabalhos. Ainda há muito pouco tempo recuperou a fragata "D. Fernando II e Glória", construída em Goa e destruída por um incêndio nos anos sessenta. Esta fama mundial que granjeou fez acorrer aos seus estaleiros veleiros de todo o mundo, de iates e também de vagabundos do Mar, homens de grande experiência e conhecimento, de uma riqueza cultural que dá gosto beber nas longas conversas das tertúlias que tenho o prazer de participar. Destes destaco dois sexagenários, o inglês Andrew e o alemão Georg.
O Inglês naufragou à entrada da nossa barra há três anos. Nesse naufrágio perdeu a mulher que não resistiu a um  Mar alteroso e a um braço engessado que a arrastou para o fundo. Depois do naufrágio foi ficando por cá, habita no seu velho tri-Maran semi destruído que ele recupera aos poucos para continuar as sua sagas Marítimas à volta dos sete Mares.
O alemão Georg, um pouco mais velho, veio reparar o seu 36 pés de ferro, foi também ficando, esperando a melhoria do estado do Mar, tertuliando com os velhos Marinheiros que por aquele estaleiro aparecem todos os dias e fazendo pequenos trabalhos para o Mestre Alberto. Quando terminou a reparação do seu veleiro, retirou-o da carreira e amarrou-o a um velho arrastão azul que esperava ser desmantelado para a sucata. 


O Veronique, ainda com o Sr Georg como armador, amarrado ao António Cação, corria o ano de 2000.


Já lá estava há uns meses e chamava a atenção pelas linhas esbeltas que ostentava. A meio de uma semana de Janeiro do ano passado os dois Marinheiros decidiram vir à cidade beber um copo num dos bares de gente do Mar que por aqui existem. Ao passar do portaló do barco onde estava amarrado, Georg escorregou e caiu. Transportado para o Hospital, diagnosticou-se fractura da coluna que o manteria na cadeira de rodas para o resto da vida. No domingo a seguir faleceu.
O resto juro que é verdade, eu assisti. Por volta das sete da tarde desse Domingo, sem ponta de vento ou barco a levantar as aguas da ria, o veleiro do Georg agitou-se estranhamente e as adriças bateram no mastro de alumínio de forma compassada e gritante, lembrando sinos a tocar sinais pela morte de alguém, como é habito nas nossas aldeias.
Eu estava presente com um amigo e fomos ver o que se estava a passar e nada descobrimos. Na altura não demos ao facto outra importância que não fosse a da curiosidade e estranheza pelo que não sabíamos explicar.
Na segunda feira seguinte, tivemos a noticia que o George tinha morrido em Coimbra pouco depois das sete da tarde, a hora a que o Veronique se agitou, sentindo a morte do seu dono.
O Veronique é um sloop de linhas clássicas com a proa em colher a lembrar os lugres do estaleiro do Mestre Mónica.
Quis o destino que me tornasse proprietário desse magnifico barco e, mais do que isso, Amigo do Udo Postfcher, filho do Georg que tanto amava aquele barco que era a sua casa.
O Veronique já ostenta o pavilhão das Quinas, mas chamar-se-á sempre VERONIQUE.

(10/jan/2001) 

quinta-feira, outubro 19, 2017

Uma saída da Barra de Aveiro, Fevereiro de 2001

...
no ultimo fim de semana, para variar, fui para o Mar. O Mar, como já disse, é o principio e o fim de tudo, ou, como diria o nandinho, "..deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu..."
sábado, ao fim da tarde, larguei em direcção à baía de s.jacinto, onde fundeei e dormi. 
Domingo às sete levantei-me, tomei um bom pequeno almoço, VHF no canal 8 (o canal das traineiras) e...
--- aqui embarcação de recreio Veronique chama mestre costeiro para informação metereologica..crrrr
--- responde navio motor Mestre Ribau, diga Veronique...crrrr
--- mestre, estou à saída da barra de Aveiro, pretendo navegar até à Galega ou até Matosinhos, como está o Mar aí fora? crrrr (aqui sou eu a perguntar)
--- pode entrar à vontade, o Mar está bonançoso de sudoeste e com vento do mesmo quadrante força 2, terminado, diga se ouviu . crrrr
( o crrrr é o barulho que o VHF faz no fim da transmissão)
--- obrigado mestre, já agora como se chama ? crrrrr
---- Alcino Monteiro do motor "Mestre Ribau" crrrr
--- obrigado mestre, aqui é joão madail veiga do veleiro Veronique. Boa pesca e boa navegação crrr
---- boa navegação para vocês também, terminado crrrr

Ainda dentro da Ria, a cerca de meia  milha da barra, de binóculos, constatei que efectivamente o mar estava bonançoso. Esqueci-me porém da fortíssima corrente que ali se fazia sentir, a meio da maré, na maior força da vazante, cerca de 4 nós ( 4 x 1,852 km/hora ).
No meio da corrente, mesmo à saída da Barra, apanhei 5 ondas de quatro metros que testaram o Veronique, e de que maneira !!!!
O veleiro galgou a primeira parede de agua, vacilou lá em cima e disparou em direcção ao centro da terra, mergulhou a proa completamente dentro de agua e saltou fora, como uma  baleia a respirar, com grandeza.
Tudo saltou dentro daquele barco, garrafas pelo ar, instrumentos aos tombos, enfim, um pandemónio.

A barra é a de Aveiro, mas foi numa entrada, também com SW e vazante rija.

Era impossível reentrar naquela barra. Coloquei então a hipótese de rumar a norte, a leixões, onde a quase inexistência de correntes torna a barra muito fácil.
Não foi necessário, o Mar estava mesmo bonançoso, era só ali que estava complicado. Liguei aos pilotos da barra pelo canal 14, que me sossegaram, as previsões eram muito boas, era só esperar pela mudança da maré, que o Mar baixava logo na entrada da barra. Eram 8 e 30 da manhã.
Esperei a mudança da maré, às 11h20, e reentrei por volta das 13 com o Mar como a  Ria, muito calmo...enfim, para contar aos netos.
Entretanto para gozar aquele Mar delicioso fui até ao largo da praia da Torreira,  cerca de 8 milhas ao norte, com pouco vento e ondas  de 2 metros, mas muito largas.
espero que a história trágico marítima vos  tenha, pelo menos distraído, e, desta vez, seja inteligível.


terça-feira, outubro 17, 2017

O fato de mergulho

O fato de mergulho, aos anos que ando para o comprar.
Num destes fins de semana atrás, fui até São Jacinto almoçar e descobri, tardiamente, a solução para o problema de almoçar em São Jacinto.
São Jacinto continua o albergue espanhol que conhecemos, no que diz respeito a amarrações para embarcações de recreio. Os seus restaurantes são muito apresentáveis, sobretudo nos pratos de peixe, mas amarrar um veleiro em São Jacinto é uma tarefa hercúlea.
E porque não fundear e chamar um dos táxis que lá prestam serviço? Eureka, porque não me lembrei disso antes.
É verdade, por meia dúzia de euros, vou e volto do Veronique a terra, almoço nas calmas e regresso ao veleiro sem chatices, aborrecimentos, pancadaria, insultos, bocarras e outras.
Foi assim neste ultimo fim de semana, um magnifico robalo selvagem escalado, com optimo azeite e muito alho, umas espetadas de gambas para as senhoras e um Coração d’Oiro, como a novela da SIC, um muito razoável Douro, para acompanhar.
Numa mesa ao lado o clã Conde fazia as honras a manjares idênticos, não sem antes  se combinar uma recachia entre os nossos veleiros, ao ‘leitão por fora’.
Suspendemos ao fim da tarde e retomamos o caminho do Oudinot, sob forte maré viva enchente, mas a viagem era curta.

Foto gentilmente cedida pelo Amândio,pela Sandra  e pelo veleiro Baccus,em que se pode ver a Marieke, a sensual galega, à pesca e duas teen agers inconcientes à luta com as minhocas, estando o Comandante no interior do gracioso veleiro às voltas com a Gertrude Stein

Ao entrar na doca do Oudinot, helás, um cabo bloqueou o hélice, deixando-nos sem máquina, mas sem grandes problemas para a amarração, feita com a perícia habitual com que eu fui habituando os meus tripulantes, feita apenas com a inercia das dez toneladas do Veronique.
Mas tive de pedir a amigos que mergulhassem e safassem o cabo do hélice.

E eis o motivo porque, desta vez é de vez, comprei um fato de mergulho.

segunda-feira, setembro 18, 2017

Senhora dos Navegantes 2017


Não sendo crente nem religioso, emociono-me com estas manifestações, mais pagãs que religiosas, sobretudo quando fluviais e marítimas.
A nossa Ria tem destas coisas, com os pescadores e outros profissionais do Mar a terem os seus santos de devoção, as suas festas, as suas crenças e superstições.
Eu e o Veronique estamos sempre presentes nestas andanças, com foguetório, merenda e amigos.
Largámos do Oudinot uma horita antes da procissão chegar ao Forte da Barra, ainda fomos até à Meia Laranja, sempre com a máquina a ajudar e, de regresso, fundeamos mesmo em frente à doca, fora do canal de navegação, devidamente sinalizados, e aguardamos.
Lá chegou então o cortejo, o foguetório durou mais de meia hora, rijo como convém.
Sinalizamos o Zás Tráz com priminha Anabela, o vizinho moliceiro São Salvador, os outros vizinhos todos, o Delmar, o Saravah e  o Jasine, os amigos da Ange como o Badanas e o Chemmy, muita rapaziada do CVCN como o Vitaminas do meu antigo timoneiro Velhinho.
O Veronique, que transportava o presidente da Balsa da Vagueira, arvorava impante o pavilhão de navio Almirante.
O Gustavinho também esteve presente com a lancha Praia da Costa Nova, e ainda víamos uma miríade de veleiros e lanchas, robaleiras, traineiras, a piloteira, etc etc.

sexta-feira, setembro 08, 2017

Golfinhos no Sado




Foi nas férias de 2014 que o gracioso veleiro Veronique rumou a Tróia.
Depois de uma viagem atribulada, com escala na Figueira, 
em Cascais, em Alhandra e em Sesimbra, lá arribou a Tróia.
(a viagem de regresso seria ainda mais atribulada)

Na marina Oceânica de Alhandra com a (famosa) carranca do Veronique arvorada

A passagem ao largo do Terreiro do Paço, a caminho de Alhandra


A manobra de amarração em Tróia

Nas duas semanas de estada em Tróia, apenas uma comigo presente, tivemos só uma saída para o Rio e, já de regresso a amarrar o veleiro no finger, fomos avisados que havia golfinhos (animais humanos) ao largo e, antes que perdêssemos a oportunidade, levantamos de novo as amarras e o Bolha, First Mate do gracioso veleiro, fez este video assim-assim.

Novas aventuras esperavam o Veronique.

quarta-feira, setembro 06, 2017

de Aveiro para a Figueira




Uma das viagens habituais do gracioso veleiro sempre foi  até à Figueira da Foz.
Desta vez juntamos a viagem à recepção à Sagres na entrada da barra de Aveiro, fazendo rumo conjuntamente com mais uns quantos  veleiros amigos.
Esta viagem, como todas as outras, foi mágica.
O Veronique levava a bordo o presidente do CVCN, arvorava por isso o pavilhão de navio almirante.
O fim da viagem foi em mareação de borboleta, linda.
Terminou com um jantar no Cepórtên (núcleo do Sporting da Figueira da  Foz) com um variado de peixe grelhado e por aí fora.


Berlenga 2016





Foi esta  a saga de 2016.
Tripulação do gracioso veleiro renovada, com a srª Vera como 1ª marinheira arvorada de vigia, a srª Emília a  2ª grumete encarregada do sino do rancho, o sr Bolha, o autor deste video e First Mate e, the last but not the least, este vosso criado como Capitão e  ELTEVBP (Encarregado de Levar  Todas Estas Vidas a Bom Porto).

Suspendemos do Oudinot num fim de tarde de nevoeiro, tão espesso tão espesso, que o sr Bolha teve de ir à proa com um faca a abri-lo para podermos progredir.
Ainda não chegados à Vagueira e já jantávamos  uma belíssima vichyssoise seguida de outra não menos apurada chanfana. O jantar acabou com uma sobremesa internacional, arroz doce.
Pelo raiar da madrugada arribávamos à baía da Flandres, na ilha mágica da Berlenga, onde fundeamos.
O almoço em terra, no restaurante do sr Arnaldo, foram uns magníficos robalos escalados.
A todo o pano rumámos a  Peniche, onde nos calhou em sortes um bacalhau abanado, confeccionado pelo imediato  e first mate sr Bolha, sobre uma velha receita de  família