domingo, junho 16, 2013

Marisqueira Aqui d'El Mar

Arribados à Nazaré depois de uma travessia desde a Berlenga, no mínimo radical, amarramos as embarcações na marina do Clube Naval da Nazaré onde, face aos bons ofícios da Avela, fomos muito bem recebidos.
O Adolfo Paião, skipper do Rifon, fez questão de nos levar a jantar ao Aqui d'el Mar, de que já tinha ouvido falar, mas que ainda não conhecia.
O Médico de Bordo quando lhe comunicaram que a Republica afinal  não tinha caído e que, por isso mesmo, teria de brindar com chaimpain.

A Marisqueira Aqui d'El Mar é, de facto, das melhores que conheço e na relação qualidade preço é mesmo a melhor, de longe, face à concorrência.
O jantar foi magnifico, com percebes, sapateiras, gambas de diferentes maneiras e feitios e cerveja, muita.
No fim apeteceu-nos uma sobremesa e pedimos uma.
Espanto, os empregados e depois o patrão, impantes, questionavam-nos: "...os senhores não sabem ler ??, lá fora está escrito MARISQUEIRA Aqui d'el Mar, não está escrito SOBREMESEIRA Aqui d'el Mar. Não temos sobremesas..."
Nem doces, nem fruta, nem nada. Aquilo era, diziam, uma Marisqueira, tinham marisco, não tinham sobremesas e, se queriamos sobremesas teriamos de ir a outro lado.
Bem, pelo menos um cafezinho, solicitamos.
A resposta foi a mesma, aquilo era uma MARISQUEIRA, não era uma cafeteria. Cafés seria noutro lado, alí era MARISCO.
Já era mania,mas insistimos no café.
O patrão, por fim, vergado ao nosso pedido, mandou servir o café. Trouxeram nos então uns pequenos copos com o que nos parecia ser café de saco. Provamos e....era cerveja preta. Aquilo, repetiam, era uma MARISQUEIRA, não era uma CAFETERIA.

sexta-feira, junho 14, 2013

Fundear na Berlenga

Como já disse, arribei à Berlenga há uma semana atrás,  pelas três da manhã, numa noite de Lua Nova, escura de breu.
Os fundos da Berlenga são, na maioria, rochosos e fundear sem arinque é manhoso e arriscado para a conservação dos ferros.
O meu Amigo Aníbal Marques  por alí viveu uns tempos, o Pai foi faroleiro na Ilha Mágica e ensinou-me os poucos areões bons de fundeio.
O meu parceiro de viagem, primeira à Berlenga, não gostou muito das minhas variações às escuras a roçagar a falésia à procura do local exacto, mas umas dezenas boas de Berlengadas fizeram com que não errasse um metro a largar o ferro.
Tença de areia e sonda de 10 a 12 metros. Corrente nula e acesso a terra fácil pela Racha da Inês.

Ficam o local e as provas.



quarta-feira, junho 12, 2013

Berlenga 2013

Já conheceu melhores dias o Cruzeiro Berlengueiro, este foi o XVIII, mas, como todos os outros, este também foi mágico.
Começou com as pressas costumeiras, a correr desde a empresa até ao Oudinot, com passagem pela Boavista e pelo abastecimento de combustível, que quem vai para o Mar avia-se em terra.
Com toda a pressa o almoço ficou em terra esquecido e, impante, o Véronique fez-se ao Mar pelas 15h00m de sexta feira, rumo à Berlenga, com o piloto automático fora de serviço e eu a tentar, com êxito, pô-lo a funcionar.
O Mar esse estava radical, com ondas dos quadrantes Oeste de 2 a 3 metros. O Véronique, com a vela grande e a máquina a ajudar, andava entre os 6 e os 7 nós.
Pelas sete da tarde resolvemos fazer uma merendazinha que acompanhamos com uma garrafinha de 4 Ventos, deliciosa.
Caiu-me porém na fraqueza e inaugurei a temporada dos enjoos no Mar, vomitando copiosamente, como se não houvesse amanhã, uma 4 ou 5 vezes.
Por fim lá melhorei e o Véronique continuou a galgar aquelas ondas, cada vez mais trapalhonas, fazendo-me equacionar a hipótese de não ficar na Berlenga aquela noite e rumar a Peniche.

A manobra de fundear, numa noite de Lua Nova escura como breu, ao abrigo da ilha mágica, foi de mestre. Dei com o ilhote da Inês de imediato (eram 3 da manhã e os geradores da ilha já tinham sido desligados), largamos ferro com maestria e algum receio do meu parceiro de viagem que, não conhecendo aquele recanto, via o Véronique a pairar em cima das rochas e da falésia.



O restinho da noite foi para descansar e para pescar, tendo ido a terra apenas pelas 11 da manhã, para um passeio até ao Forte de São João Baptista, ou quase, e para o almoço.

Entretanto chegaram os veleiros de Lisboa e os restantes da nossa Ria.

No almoço na Berlenga, para além dos percebes, as sardinhas, as primeiras da temporada, estavam simplesmente a raiar a excelência.



Seguiu-se a viagem até à Nazaré, tradicionalmente radical. E esta não foi excepção. Vela grande e máquina levaram o Veronique aos 7 nósitos. O Mar, esse, continuava cavado a grosso, como convém.
Arribados à Nazaré e arrumadas as embarcações, seguiu-se uma mariscada no Aqui d'El Mar, das melhores que já malhei.


A viagem para a Figueira foi sem história, estai pequenino, vela grande, máquina e vento de Oeste.



Largados que fomos do porto da Figueira da Foz, rumou-se 15º verdadeiros para a barra de Aveiro, com vento bonançoso de WSW.
Pelas 1300, já ao largo da Tocha e em frente ao Finfas, almoçou-se com alegria os restinhos das refeições, redon gourmet como soi dizer-se, pondo a baixo uma garrafa de Quatro Ventos que o MMMMMBAS Veiga tinha guardada para uma doença e que se decidiu agora mesmo dar por consumida.
Já bem perto da Barra, ao largo da Costa Nova, fez se a ultima das fotografias da epopeia.


quarta-feira, abril 24, 2013

Europa mesmo

(expressão da cantora brasileira Marisa Monte que, a uma pergunta de um jornalista disse que a seguir a Lisboa ia para a Europa. O jornalista lembrou-a de que já estava na Europa e a cantora retorquiu pronto...Vou para a Europa, a Europa mesmo)

Assim (Grande Marisa Monte), deixo-vos com uma passagem do ‘Um Estranho em Goa’ do Zé Eduardo Agualusa e tirem vocês as conclusões que entenderem:

 

‘…..
--Hoje sente-se indiano?
--Não, indiano não, mas às vezes sinto-me goês.
--E Português?
--Isso já não sei. O que é um Português?
A pergunta apanhou-me desprevenido. Hesitei:
--Bem, antes de mais, suponho, um europeu.
--Os Portugueses, europeus ?-Riu-se com mansidão.
--Nunca o foram. Não o eram antes e não o são hoje. Quando conseguirem que Portugal se transforme sinceramente numa nação europeia o País deixará de existir. Repare : os Portugueses construíram uma identidade por oposição à Europa, ao reino de Castela, e como estavam encurralados lançaram-se ao Mar e vieram até aqui, fundaram o Brasil, colonizaram Africa. Ou seja, escolheram não ser europeus.


….’

terça-feira, abril 23, 2013

De Cascais aos Açores, 2004, no Tibariaf

20 de Julho de 2004


Depois das dez da manhã o vento caiu muito. Soprava de NE muito fraco, cerca de 10 nós. Estávamos a meio caminho entre o Continente e a ilha de S.Miguel.

Pela primeira vez na viagem içou-se o balão, mas mesmo assim o barco navegava apenas a 3 nós. A fraca velocidade permitiu-nos uma boa pescaria, tendo se pescado dois dourados e um atum que fizeram as delicias das refeições desse dia e seguintes. Permitiu também umas cabeçadas no Atlântico, que estava com uns bons vinte e alguns graus, delicioso, apesar da grande quantidade de caravelas portuguesas que infestavam aquelas aguas.

Aproveitou-se para confeccionar uns bifes de atum com oregãos e muito alho e sumo de limão que acompanhamos com batatinhas porqueiras. Aliás, durante esta refeição o nosso skipper apanhou um espadim azul, lindíssimo, de 2 metros, que por questões de sensibilidade ambiental, a tripulação decidiu devolver ao mar.

Ao jantar confeccionou-se, face à abundância de peixe, uma caldeirada de atum e dourado que estava deliciosa.

Enfim um dia muito calmo, nada prenunciava o dia seguinte.

Como o meu quarto era o das quatro da manhã às oito, deitei-me cedo.

21 de Julho de 2004

Ainda não eram duas da manhã acordaram-me porque uma das baterias fervia. O rádio SSB tinha sido ligado sem grandes cuidados e na placa de isolamento de cargas tinha sido queimado um díodo, tendo o regulador de tensão deixado de funcionar. Lá juntei as minhas qualidades de engenheiro electrotécnico às de marinheiro e resolvi, enfim, remediei, o melhor que pude, o problema, já com a sensação que o meu amigo José Angelo me tinha descrito antes da largada, de estar dentro de uma máquina de lavar roupa, das antigas.

Na verdade o mar começava a alterar-se. O barómetro tinha descido para os 1001 mbar e o vento crescera.

Até cerca das 11 horas UTC fizemos vela, e de muito luxo. O vento tinha rodado para SW e tinha já força 4 ou 5, o mar era do mesmo quadrante com 2 a 3 metros.

Chegamos aos 6 nós de odómetro, em bolina cerrada, com o mar sempre a crescer e o barómetro a descer.

Chamamos pelo VHF a flotilha que nos acompanhava, mas só o Maibar nos respondeu. Já há dois dias que tínhamos perdido o contacto rádio com o resto da flotilha.

Nessa altura éramos uns fortalhaços. Mar a crescer e nós à vela.

Mas o mar cresceu mais e o barómetro desceu mais,  aos 998 mbar. Era agora de cavado a grosso, trapalhão.

De duas em duas horas comunicávamos com o Maibar, que se situava a cerca de 20 milhas mais ao Norte.

Não se almoçou.

Dentro do Tibariaf andava tudo pelos ares. Nada estava no sitio. O mar era agora grosso de 6 metros com umas ondas de vez em quando a passar os 8 metros, o vento de força 6 e 7. Íamos com a vela grande só com um metro de fora e a genoa com igual área, centrada a meia nau, só para equilibrar, e avançávamos a motor, muito devagar, a caturrar.

Por volta das 16 horas UTC o Maibar comunicou-nos que tinha conseguido falar com o Comandante José Inácio e que, segundo este, a depressão em que nos encontrávamos se dirigia para NE, pelo que nos aconselhava a rumar a Sul.

Não foi preciso ouvir duas vezes. Saímos dos 270 em que navegávamos e tomamos o rumo 190.

Ao cair da noite o barómetro começou a subir, estavam agora 1005 mbar, e o mar a descer. Mesmo assim ainda de 4 metros e cavado.

Mas duas refeições sem nada é que não.

Prepararam se então uns ovinhos cozidos, com agua de cebola para ficarem castanhinhos, que se jantaram com prazer e com duas garrafas de vinho tinto de Torres Vedras que o nosso Skipper fez o favor de trazer para nosso gáudio.

Às 23 horas retomámos os 270 de rumo. O Maibar, com um companheiro magoado (felizmente não era nada) meteu máquina a fundo e rumou directo a Ponta Delgada.

Entre nós e a Ponta do Arnel agora só havia o imenso azul.

24 de Julho de 2004

O mar já tinha baixado muito, era agora bonançoso. A tempestade já tinha passado.

Ao sexto dia de mar, tínhamos largado de Cascais no domingo passado e navegado mais de 600 milhas, já estávamos completamente habituados às rotinas diárias do nosso veleiro.

Ao fim da tarde avistamos o Harmony na nossa amura de estibordo, a cerca de 5 milhas. Estava apenas com a genoa e navegava muito pelo norte. Creio que contornou pelo norte S.Miguel para entrar em Ponta Delgada por Oeste.

Por nós mantivemos o rumo, mais para Sul, embora o vento não ajudasse muito esta opção, mas era o caminho mais directo.

Ao jantar confeccionou-se uma magnifica ‘ esparguetada ’ de atum, com tomates, pimentos e ovos, receita recordação de uma viagem a Utrech há muitos anos.

O meu quarto era o das 20 às 24 pelo que depois do jantar permaneci no poço para continuar o meu serviço. Os meus companheiros de viagem, porque iam ‘ pegar ao serviço ’ durante a noite, foram ambos descansar.

Na imensidão do mar sabia que por volta das 23 e 30 deveríamos estar a 25 milhas da ponta do Arnel e, como o alcance do farol era de 25 milhas, deveria ser naquele instante que, depois de 6 dias de mar, veríamos terra pela primeira vez.

E assim foi. Às 23h30 do dia 24 de Julho vi, sozinho no poço, o relampejar do foco de luz do Arnel a cortar o escuro da noite.

Sensação única aquele instante. Não que a viagem fosse desagradável ou que não estivesse a tirar um enorme prazer daquela situação, mas, apesar das tecnologias de orientação disponíveis, ao fim de 700 milhas sem pontos de referencia, avistar a ponta do Arnel no preciso momento e no preciso local que se programou, é único.

Ainda me mantive ‘de serviço’ até às 2 da manhã, com a excitação da aproximação a terra. Cada minuto, cada milha, a visibilidade melhorava. Já via claramente os contornos da parte oriental da ilha. Estávamos a chegar. Conseguíramos fazer 700 milhas sem problemas, com muito livros lidos, muitas refeições partilhadas com muito prazer, muitos quartos de vigília, muito mar para trás de nós.


Entre Angra e a Horta

Angra do Heroísmo é a cidade mais linda onde alguma vez estive.

Dois dias de descanso a visitar a cidade, sempre debaixo de chuva e sol e por vezes muito vento.

À hora marcada o fiscal da comissão de regata veio selar-nos o engate do motor. A partir dali apenas podíamos ligar a máquina para carregar baterias, se engatássemos quebraríamos o selo e seriamos desclassificados.

Saímos da marina a reboque até fora da barra, onde içamos as velas e ficamos a fazer bordos, à espera da largada.

A bóia de desmarque, a barlavento, estava a menos de cem metros da ilha e exigiu dois ou três bordos para a contornarmos.

A parte regateira da flotilha engalfinhou-se nessa bóia. Nós, calmamente, contornámos no fim de todos. A regata era até à Horta, 70 ou 80 milhas conforme a opção de rumo, não valia a pena passar ali com a ‘molhada’.

As opções de rumo eram pelo canal, entre as ilhas de S. Jorge e do Pico, ou pelo Norte. Pelo Norte eram mais 10 a 15 milhas, pior mar, mas....mais vento.

Apenas 4 embarcações optaram pelo Norte.

Pela nossa parte vínhamos em regata especial com o ‘Gávea’ do Almirante Fausto Abreu, que trazia na sua tripulação um filho de Aveiro, neto do Capitão Guerra, meu particular amigo e companheiro do meu pai nas lides do bacalhau na Terra Nova. Com o Gávea havia ainda um leitão em jogo.

A nossa opção pelo Norte foi a acertada. O mar estava mauzinho, 4 metritos de NW mas o vento estava de luxo. De NW também, força 6.

E lá seguimos em bolina folgada a 9 nós de odómetro.

À meia noite estávamos na Ponta dos Rosais, extremo ocidental da ilha de S. Jorge. O vento caíra um pouco, e, quando tomamos o rumo do Faial, a popa arrasada em que seguíamos tornou a navegação incómoda.

À medida que a noite avançava o vento ia caindo e aquelas ultimas 15 milhas foram penosas, com a retranca a balançar de bordo em bordo, com ensaios de mareação para ambos os bordos.

A verdade é que quase não avançávamos.

Não sabíamos, mas nessa altura apenas nós e o Gávea estávamos em regata. À nossa frente entraram duas embarcações e todos os que optaram pelo canal tinham desistido, excepção para o Gávea, por falta de vento.

Às 6 da manhã estávamos a 5 milhas da Horta e comuniquei via rádio a nossa posição à comissão de regata, como era nossa obrigação.

Às 8 estávamos ainda a 3 milhas da Horta com sucessivas cambadelas da retranca. Era difícil continuar, o barco estava a sofrer e ainda tinha  de fazer 900 milhas até ao continente.

Desistimos. Comunicamos via rádio que iríamos ligar o motor e assim fizemos, a 3 milhas da Horta e do Peter’s.

Só soubemos depois que praticamente toda a flotilha tinha desistido e que o Gávea ainda estava no Canal, a calcar ovos, à espera de vento.

A entrada na Horta foi triunfal. Foi o culminar daquela viagem. Eram 8 da manhã do dia 31 de Julho de 2004.

O João Luís degolou uma garrafa de champanhe na névoa ligeira, brindámos duas e três vezes, cumprimentamo-nos, atracamos e fomos dormir.

O Peter’s e os seus gins ficavam para dali a bocado.........

De Cascais a Ponta Delgada, 2004

Esta história já a publiquei aquando da viagem, em 2004. Hoje, ao arrumar uns ficheiros, reencontrei-a e republico-a.
É a narrativa dos meus Amigos Nuno e Carla que seguiam a algumas milhas de nós, a bordo do Babilé, e que encontraram a mesma depressão que nós:

"...
No mesmo rumo, em posição diferente...

A Carla e o Nuno a cumprirem a tradição na Horta.

Babilé rumo aos Açôres - diário de bordo!

7h - O vento entrou, e entrou fresco, 15 nós. Estamos com o pano todo em cima, e descansados já que a noite anterior deu para por o sono em dia. Mas ainda não deve ser este o vento que nos leva a Ponta Delgada, não é de NW...

12h - Opa!!! Assim sim, estamos a fazer 7 nós constantes, num rumo muito perto do que queremos. Tudo calmo a bordo, o Babilé mantem-se em forma. E a restante frota ??? Gostavamos de saber…Não falamos com ninguém desde que largamos de Cascais!

16h - Não conseguimos prosseguir o rumo de 280º, o vento está em 270º e já nos 20 nós. O mar cresceu, o céu ameaça chuva, vamos arribar um pouco…pode ser que passe. Preparamo-nos para chuva, é Julho e parece que estamos em Janeiro…

19h - Está impossível, o vento cresceu muito o mar também. O anemometro deixou de funcionar, mas por referências de outras navegações, está acima dos 30 nós. Estamos no primeiro rizo, e viramos a 190º, o céu faz uma ferradura com nuvens escuras e só deixa abertura para sul.

21h - Fechou completamente, o horizonte está todo fechado. A noite está a cair, a única saída mais calma é para 90º exactamente o rumo para o continente… o barometro baixou muito, pelo que deve ser uma depreessão, o Navtex não dá nada hà 3dias! Estamos no segundo rizo de vela grande e genoa, o Babilé está solto mas com dificuldade em vencer o mar de proa. Arribamos.

Condições a intensificarem-se!

23h - A opção de correr com o tempo já não melhora muito, estamos dentro da borrasca. Vento acima dos 40nós de certeza. Mar de vento mas muito grosso, rebenta com grande intensidade no costado do Babilé sempre que não conseguimos aproar.

Estamo em àrvore seca e ligamos o motor para a proar ao vento, decisão dificil, mas nestas condições a segurança acima da competição, SEMPRE!

Estamos no interior do Babilé com tudo fechado, ainda tentamos ficar no poço mas duas vagas entraram dentro e ficou demasiado inseguro.

6º Dia

2h - Um estrondo enorme no costado do Babilé, e àgua a entrar pelo tecto como se fosse um chuveiro. O piloto não aguentou aproado ao mar, e uma vaga passou por cima de nós. De dentro sente-se que contiuamos atravessados ao mar, temos que fazer algo. Vou lá for a ao leme, de gatas pelo poço..., está tudo encharcado, o barulho do vento e do mar são de respeito, o gerador eolico parece que vai entrar em orbita a qualquer momento. Dou mais 15º de leme ao piloto e ficamos a 20º graus ao mar… o comportamento do barco melhora e no interior também. Venho para dentro e não conto o cenário que está lá fora…mantemo-nos em silêncio! O interior está um caus, tachos espalhados, armarios que abriram, livros a monte...

Estas é daquelas situações que já tinhamos lido, ou visto em filme, mas agora para nós foi ao vivo e a cores!

6h – Estamos com uma “baloiçar” mais folgado, o vento está amainar o mar também...

10h – Estamos exaustos, mas já vamos à vela, no 1º rizo e andar bem... vamos fazer quartos de dia para pôr o sono em dia...depois arrumamos o Babilé, está um caus de bagunça no interior...

Continuamos rumo AÇORES!

... Tão perto...e tão longe!!!

Babilé SailingTeam

12:26 AM

..."

Beatriz


De leitura empolgante do principio ao fim, encontra uma justificação lógica e perfeitamente plausível para os mistérios da origem da Colombo, do seu entrosamento entre os nobres lusos e da sua amizade indiscutível com D.João II e com a sua esposa Dª Leonor (filha da Infante Beatriz).
Não foram algumas incorrecções históricas incompreensíveis e seria um excelente romance.
Recomendo, mesmo assim, porque está escorreito de escrita e lógico nas justificações que apresenta.
E é sempre bom ler textos sobre aquela fase na nossa História.

quinta-feira, abril 18, 2013

Umbigo

Pois é, não me canso de olhar para ele, o umbigo, sobretudo quando não vejo maneira de repetir estas andanças.
Na foto o saudoso senhor José Azevedo, falecido pouco depois desta fotografia (Agosto  de 2004) e toda ou quase toda a tripulação da flotilha que do Continente rumou aos Açores naquele ano.
Vê-se ainda o Almirante Fausto Abreu, comandante de uma das três lanchas na India Portuguesa em 1961, O Comandante Vasco Galvão, chefe do grupo, o Luis Vilela, campeão das desgraças que só a ele aconteciam, os Comandantes Jara e Luis Rocha além de mim próprio, lá atrás, discreto.
Grande viagem, grandes histórias, grandes lembranças.

quarta-feira, abril 17, 2013

P A Z

Não me lembro bem desta, mas foi certamente há muito tempo. Pelo suporte da balsa pintado de azul, foi mesmo há bastante tempo, hoje é de inox.
Evidencia  a paz que uma passeata no Oceâno transmite, ao Vento e às Ondas, que neste caso nem existiam.
Saudades do Mar.