segunda-feira, outubro 30, 2017

Veronique, o Inicio

O estaleiro naval do mestre Alberto, praticamente dentro da cidade de Aveiro, ganhou fama mundial pela qualidade dos seus trabalhos. Ainda há muito pouco tempo recuperou a fragata "D. Fernando II e Glória", construída em Goa e destruída por um incêndio nos anos sessenta. Esta fama mundial que granjeou fez acorrer aos seus estaleiros veleiros de todo o mundo, de iates e também de vagabundos do Mar, homens de grande experiência e conhecimento, de uma riqueza cultural que dá gosto beber nas longas conversas das tertúlias que tenho o prazer de participar. Destes destaco dois sexagenários, o inglês Andrew e o alemão Georg.
O Inglês naufragou à entrada da nossa barra há três anos. Nesse naufrágio perdeu a mulher que não resistiu a um  Mar alteroso e a um braço engessado que a arrastou para o fundo. Depois do naufrágio foi ficando por cá, habita no seu velho tri-Maran semi destruído que ele recupera aos poucos para continuar as sua sagas Marítimas à volta dos sete Mares.
O alemão Georg, um pouco mais velho, veio reparar o seu 36 pés de ferro, foi também ficando, esperando a melhoria do estado do Mar, tertuliando com os velhos Marinheiros que por aquele estaleiro aparecem todos os dias e fazendo pequenos trabalhos para o Mestre Alberto. Quando terminou a reparação do seu veleiro, retirou-o da carreira e amarrou-o a um velho arrastão azul que esperava ser desmantelado para a sucata. 


O Veronique, ainda com o Sr Georg como armador, amarrado ao António Cação, corria o ano de 2000.


Já lá estava há uns meses e chamava a atenção pelas linhas esbeltas que ostentava. A meio de uma semana de Janeiro do ano passado os dois Marinheiros decidiram vir à cidade beber um copo num dos bares de gente do Mar que por aqui existem. Ao passar do portaló do barco onde estava amarrado, Georg escorregou e caiu. Transportado para o Hospital, diagnosticou-se fractura da coluna que o manteria na cadeira de rodas para o resto da vida. No domingo a seguir faleceu.
O resto juro que é verdade, eu assisti. Por volta das sete da tarde desse Domingo, sem ponta de vento ou barco a levantar as aguas da ria, o veleiro do Georg agitou-se estranhamente e as adriças bateram no mastro de alumínio de forma compassada e gritante, lembrando sinos a tocar sinais pela morte de alguém, como é habito nas nossas aldeias.
Eu estava presente com um amigo e fomos ver o que se estava a passar e nada descobrimos. Na altura não demos ao facto outra importância que não fosse a da curiosidade e estranheza pelo que não sabíamos explicar.
Na segunda feira seguinte, tivemos a noticia que o George tinha morrido em Coimbra pouco depois das sete da tarde, a hora a que o Veronique se agitou, sentindo a morte do seu dono.
O Veronique é um sloop de linhas clássicas com a proa em colher a lembrar os lugres do estaleiro do Mestre Mónica.
Quis o destino que me tornasse proprietário desse magnifico barco e, mais do que isso, Amigo do Udo Postfcher, filho do Georg que tanto amava aquele barco que era a sua casa.
O Veronique já ostenta o pavilhão das Quinas, mas chamar-se-á sempre VERONIQUE.

(10/jan/2001) 

quinta-feira, outubro 19, 2017

Uma saída da Barra de Aveiro, Fevereiro de 2001

...
no ultimo fim de semana, para variar, fui para o Mar. O Mar, como já disse, é o principio e o fim de tudo, ou, como diria o nandinho, "..deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu..."
sábado, ao fim da tarde, larguei em direcção à baía de s.jacinto, onde fundeei e dormi. 
Domingo às sete levantei-me, tomei um bom pequeno almoço, VHF no canal 8 (o canal das traineiras) e...
--- aqui embarcação de recreio Veronique chama mestre costeiro para informação metereologica..crrrr
--- responde navio motor Mestre Ribau, diga Veronique...crrrr
--- mestre, estou à saída da barra de Aveiro, pretendo navegar até à Galega ou até Matosinhos, como está o Mar aí fora? crrrr (aqui sou eu a perguntar)
--- pode entrar à vontade, o Mar está bonançoso de sudoeste e com vento do mesmo quadrante força 2, terminado, diga se ouviu . crrrr
( o crrrr é o barulho que o VHF faz no fim da transmissão)
--- obrigado mestre, já agora como se chama ? crrrrr
---- Alcino Monteiro do motor "Mestre Ribau" crrrr
--- obrigado mestre, aqui é joão madail veiga do veleiro Veronique. Boa pesca e boa navegação crrr
---- boa navegação para vocês também, terminado crrrr

Ainda dentro da Ria, a cerca de meia  milha da barra, de binóculos, constatei que efectivamente o mar estava bonançoso. Esqueci-me porém da fortíssima corrente que ali se fazia sentir, a meio da maré, na maior força da vazante, cerca de 4 nós ( 4 x 1,852 km/hora ).
No meio da corrente, mesmo à saída da Barra, apanhei 5 ondas de quatro metros que testaram o Veronique, e de que maneira !!!!
O veleiro galgou a primeira parede de agua, vacilou lá em cima e disparou em direcção ao centro da terra, mergulhou a proa completamente dentro de agua e saltou fora, como uma  baleia a respirar, com grandeza.
Tudo saltou dentro daquele barco, garrafas pelo ar, instrumentos aos tombos, enfim, um pandemónio.

A barra é a de Aveiro, mas foi numa entrada, também com SW e vazante rija.

Era impossível reentrar naquela barra. Coloquei então a hipótese de rumar a norte, a leixões, onde a quase inexistência de correntes torna a barra muito fácil.
Não foi necessário, o Mar estava mesmo bonançoso, era só ali que estava complicado. Liguei aos pilotos da barra pelo canal 14, que me sossegaram, as previsões eram muito boas, era só esperar pela mudança da maré, que o Mar baixava logo na entrada da barra. Eram 8 e 30 da manhã.
Esperei a mudança da maré, às 11h20, e reentrei por volta das 13 com o Mar como a  Ria, muito calmo...enfim, para contar aos netos.
Entretanto para gozar aquele Mar delicioso fui até ao largo da praia da Torreira,  cerca de 8 milhas ao norte, com pouco vento e ondas  de 2 metros, mas muito largas.
espero que a história trágico marítima vos  tenha, pelo menos distraído, e, desta vez, seja inteligível.


terça-feira, outubro 17, 2017

O fato de mergulho

O fato de mergulho, aos anos que ando para o comprar.
Num destes fins de semana atrás, fui até São Jacinto almoçar e descobri, tardiamente, a solução para o problema de almoçar em São Jacinto.
São Jacinto continua o albergue espanhol que conhecemos, no que diz respeito a amarrações para embarcações de recreio. Os seus restaurantes são muito apresentáveis, sobretudo nos pratos de peixe, mas amarrar um veleiro em São Jacinto é uma tarefa hercúlea.
E porque não fundear e chamar um dos táxis que lá prestam serviço? Eureka, porque não me lembrei disso antes.
É verdade, por meia dúzia de euros, vou e volto do Veronique a terra, almoço nas calmas e regresso ao veleiro sem chatices, aborrecimentos, pancadaria, insultos, bocarras e outras.
Foi assim neste ultimo fim de semana, um magnifico robalo selvagem escalado, com optimo azeite e muito alho, umas espetadas de gambas para as senhoras e um Coração d’Oiro, como a novela da SIC, um muito razoável Douro, para acompanhar.
Numa mesa ao lado o clã Conde fazia as honras a manjares idênticos, não sem antes  se combinar uma recachia entre os nossos veleiros, ao ‘leitão por fora’.
Suspendemos ao fim da tarde e retomamos o caminho do Oudinot, sob forte maré viva enchente, mas a viagem era curta.

Foto gentilmente cedida pelo Amândio,pela Sandra  e pelo veleiro Baccus,em que se pode ver a Marieke, a sensual galega, à pesca e duas teen agers inconcientes à luta com as minhocas, estando o Comandante no interior do gracioso veleiro às voltas com a Gertrude Stein

Ao entrar na doca do Oudinot, helás, um cabo bloqueou o hélice, deixando-nos sem máquina, mas sem grandes problemas para a amarração, feita com a perícia habitual com que eu fui habituando os meus tripulantes, feita apenas com a inercia das dez toneladas do Veronique.
Mas tive de pedir a amigos que mergulhassem e safassem o cabo do hélice.

E eis o motivo porque, desta vez é de vez, comprei um fato de mergulho.

segunda-feira, setembro 18, 2017

Senhora dos Navegantes 2017


Não sendo crente nem religioso, emociono-me com estas manifestações, mais pagãs que religiosas, sobretudo quando fluviais e marítimas.
A nossa Ria tem destas coisas, com os pescadores e outros profissionais do Mar a terem os seus santos de devoção, as suas festas, as suas crenças e superstições.
Eu e o Veronique estamos sempre presentes nestas andanças, com foguetório, merenda e amigos.
Largámos do Oudinot uma horita antes da procissão chegar ao Forte da Barra, ainda fomos até à Meia Laranja, sempre com a máquina a ajudar e, de regresso, fundeamos mesmo em frente à doca, fora do canal de navegação, devidamente sinalizados, e aguardamos.
Lá chegou então o cortejo, o foguetório durou mais de meia hora, rijo como convém.
Sinalizamos o Zás Tráz com priminha Anabela, o vizinho moliceiro São Salvador, os outros vizinhos todos, o Delmar, o Saravah e  o Jasine, os amigos da Ange como o Badanas e o Chemmy, muita rapaziada do CVCN como o Vitaminas do meu antigo timoneiro Velhinho.
O Veronique, que transportava o presidente da Balsa da Vagueira, arvorava impante o pavilhão de navio Almirante.
O Gustavinho também esteve presente com a lancha Praia da Costa Nova, e ainda víamos uma miríade de veleiros e lanchas, robaleiras, traineiras, a piloteira, etc etc.

sexta-feira, setembro 08, 2017

Golfinhos no Sado




Foi nas férias de 2014 que o gracioso veleiro Veronique rumou a Tróia.
Depois de uma viagem atribulada, com escala na Figueira, 
em Cascais, em Alhandra e em Sesimbra, lá arribou a Tróia.
(a viagem de regresso seria ainda mais atribulada)

Na marina Oceânica de Alhandra com a (famosa) carranca do Veronique arvorada

A passagem ao largo do Terreiro do Paço, a caminho de Alhandra


A manobra de amarração em Tróia

Nas duas semanas de estada em Tróia, apenas uma comigo presente, tivemos só uma saída para o Rio e, já de regresso a amarrar o veleiro no finger, fomos avisados que havia golfinhos (animais humanos) ao largo e, antes que perdêssemos a oportunidade, levantamos de novo as amarras e o Bolha, First Mate do gracioso veleiro, fez este video assim-assim.

Novas aventuras esperavam o Veronique.

quarta-feira, setembro 06, 2017

de Aveiro para a Figueira




Uma das viagens habituais do gracioso veleiro sempre foi  até à Figueira da Foz.
Desta vez juntamos a viagem à recepção à Sagres na entrada da barra de Aveiro, fazendo rumo conjuntamente com mais uns quantos  veleiros amigos.
Esta viagem, como todas as outras, foi mágica.
O Veronique levava a bordo o presidente do CVCN, arvorava por isso o pavilhão de navio almirante.
O fim da viagem foi em mareação de borboleta, linda.
Terminou com um jantar no Cepórtên (núcleo do Sporting da Figueira da  Foz) com um variado de peixe grelhado e por aí fora.


Berlenga 2016





Foi esta  a saga de 2016.
Tripulação do gracioso veleiro renovada, com a srª Vera como 1ª marinheira arvorada de vigia, a srª Emília a  2ª grumete encarregada do sino do rancho, o sr Bolha, o autor deste video e First Mate e, the last but not the least, este vosso criado como Capitão e  ELTEVBP (Encarregado de Levar  Todas Estas Vidas a Bom Porto).

Suspendemos do Oudinot num fim de tarde de nevoeiro, tão espesso tão espesso, que o sr Bolha teve de ir à proa com um faca a abri-lo para podermos progredir.
Ainda não chegados à Vagueira e já jantávamos  uma belíssima vichyssoise seguida de outra não menos apurada chanfana. O jantar acabou com uma sobremesa internacional, arroz doce.
Pelo raiar da madrugada arribávamos à baía da Flandres, na ilha mágica da Berlenga, onde fundeamos.
O almoço em terra, no restaurante do sr Arnaldo, foram uns magníficos robalos escalados.
A todo o pano rumámos a  Peniche, onde nos calhou em sortes um bacalhau abanado, confeccionado pelo imediato  e first mate sr Bolha, sobre uma velha receita de  família


terça-feira, setembro 05, 2017

Corsários na Ria de Aveiro

Acordado que fui da minha sesta pelo alarido ululante dos corsários do galeão São Salvador, preparadas as armas, os canhões e os copos, bastou a sua visão para abortarem a abordagem.


Estremunhado, o comandante do gracioso veleiro observa a aproximação do galeão São Salvador

Registada  na Crónica de Bordo esta façanha, digna de Fernão Mendes Pinto, patrício do Bolha e coevo dos seus avós, proprietário de uma famosa taberna em Montemor antes de partir para as Índias.




O galeão corsário São salvador em manobra de abordagem

Consta aliás que o dito Fernão M. Pinto terá embarcado na Armada das Índias logo a seguir a uma noite em que, só ele, teria esvaziado um tonel de dois almudes de tinto da Bairrada.
Depois disso nunca mais bebeu, tanto mais que, quando acordou, já tinha passado o Espichel.


Passada já a ameaça, uma nova sesta se impôs



© Fotos de Emilia Castro, Vera Silva e Teresa Santos

quinta-feira, agosto 17, 2017

E o Mar Invadiu a Planície

Texto antigo, que me chegou às mãos há uns anos, de uma médica, e que veio a talho de foice no almoço de hoje...
"...
Juntando  algumas das pedrinhas soltas da nossa conversa de hoje e pensando naquela tua imagem de estares despido sem o teu barco, e sem rumo fora do mar….recordei uma história que ouvi contar ao meu pai, naqueles tempos em que a juventude me permitia que as histórias ficassem na memória...dizia ele que um dia lhe entrou pelo gabinete lá nos Açores , o amigo Damião, conhecera-o anos antes, nos tempos em que ele esteve a trabalhar na nossa terra, e o inesperado daqule reencontro.... agora  com a situação invertida, era o ribatejano que se encontrava deslocado naquela linda ilha no meio do oceano, lá na terra dele, e o açoreano não podia estar mais espantado dizendo com aquele sotaque tão peculiar –“É homem então você está cá?”
E foi nessa altura que lhe confessou as saudades que, perdido lá no meio de tanta terra,  lá no ribatejo,  sentia da sua ilha e sobretudo daquele mar imenso ...e  na   altura em que as chuvas de  inverno faziam  subir as águas do rio e os campos ficavam inundados,...aí  ele ia para cima da ponte e sentia que respirava melhor rodeado de toda aquela água que cobria  a planura da lezíria, aquela água a perder de vista...e assim recuperava um pouco as forças para continuar ..longe ...era o que de mais parecido encontrava com a imensidão do seu mar.
..."

21 de Dezembro de 2004-12-21


 Luisa Rosa  

segunda-feira, julho 24, 2017

Berlenga 2017

As minhas viagens à Berlenga, longe de se tornarem rotineiras, representam sempre um conjunto de vivências e experiências únicas, pela presença do mar e do Vento e da sensação de se estar sobre as ondas e de flutuarmos sobre elas.
Desta vez não foi diferente, com a viagem a iniciar-se, como sempre, de noite, com largada de Aveiro pelas 2000, directo à ilha mágica.
Navegar à noite tem um encanto especial e, apesar de nos mantermos a dez milhas da costa, podemos sempre observá-la, com as suas luzes, os seus faróis, os seus contrastes.

A noite foi de lua cheia pelo que associámos às luzes o prateado das aguas, particularmente calmas.
A umas quinze milhas da ilha mágica, já de dia, fomos escoltados por cinco ou seis golfinhos, que emprestaram ao fim da viagem um encanto suplementar.
A escolta do Veronique

Pelas 1000, como previsto, fundeávamos na enseada da Flandres, na Ilha Berlenga Grande, para pouco depois nos deslocarmos ao restaurante do nosso amigo Arnaldo, onde almoçamos uns magníficos peixes na brasa, em melhor  companhia ainda.
No regresso pela Nazaré, com um vento de NW de 10 nós, fez-se uma bolina folgada até a cerca de 4 milhas do porto de abrigo, altura em que se fecharam as janelas e o vento caiu, obrigando-nos a ligar a máquina para os últimos passos até ao finger que acolheu o gracioso veleiro.
Da Nazaré até à Figueira não houve história, um Norte chato e frio e um Mar trapalhão acompanharam a viagem.
Na boca da Barra da Figueira esperava-nos o Bolha para a reportagem fotográfica.
A arribada à Figueira da Foz

Já a viagem da Figueira para Aveiro, feita com vento WSW de 10 nós e Mar de pequena vaga, foi um luxo.



O video do Bolha, 1º grumete arvorado do Veronique

O Veronique chegava amiúde aos sete nós e, muitas vezes, passava-os.


A todo o pano e a meia máquina

E se era certo que a máquina ia ligada, tínhamos muita pressa de chegar a Aveiro, não era menos certo que ia nas 1200 rpm, isto é a meia força, porque não adiantava força-la, que não andávamos mais por isso.
Ao largo da Praia de Mira

Entrada triunfante na nossa Ria, com mais amigos a fotografarem o gracioso veleiro.


A reentrada na nossa Ria de Aveiro



quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Three Men in a Boat, Açores 2004



Candidato ao Óscar de melhor filme estrangeiro, do laureado  realizador Eugénio Bolha, o trailler do "Three Men in a Boat, Açores 2004

Léts luque ate de trêiler

quarta-feira, setembro 30, 2015

Ute Lemper canta Prevert/Kosme



O Jacques, o Prevert, é um dos meus poetas preferidos que leio com frequência.

Este poema, Les Feuilles Mortes, foi musicado por um húngaro, refugiado, Joseph Kosme de seu nome.

O Fogo do São Paio


É daqueles momentos únicos que ou se aproveitam ou nunca mais.
A festança, a que não faltou a Constança, do São Paio da Torreira, tem dois momentos de fogo de artificio, um no Mar, num sábado, outro na Ria, no dia do Santo.
O estado do Mar naquele sábado era de antologia, calmo e sereno, espelhado de azeite, quase sem vento, com ondinhas de meio  metro.
O Veronique largou do Oudinot pelas dez da noite, carregado de gasóleo e de champain, rumo à Torreira pelo Mar Oceano, umas escassas sete milhas a Norte.
Chegamos ao largo da Torreira onde, com o estado do Mar,  mais  não foi necessário que deixar o veleiro a pairar, vela grande em cima e máquina ligada por questões de segurança.




O espectáculo, esse,  foi espectacular.

sexta-feira, agosto 07, 2015

A viagem a Baiona desta semana

Da viagem para Norte, feita durante a  noite, resta  apenas a pancada, pelas cinco da manhã, num pedregulho, num contentor, num tronco ou num animal de grande porte.
Ao largo de Montedor, a milha e meia da costa, o Veronique estremeceu, galgou alguma coisa que não sabemos o que foi,  rápido de dois segundos, e continuou tranquilo.
Procuramos eventuais rombos, mas nada, estava tudo bem. Grande Veleiro.

Já no regresso, fomos acompanhados por um catamaran inglês.
 O Mar estava grosso, três metritos e vento fresco de WNW.


O catamaran foi ficando para trás. 


Ainda o catamaran


Ao largo de Ofir um belissimo dois mastros.


Antes de arribar a Baiona, a boia do Sileiro a anunciar os recifes Lobo.


Fantásticas "isabelinhas" na marginal  de Baiona.


Um passeio pelo Douro até à Ribeira, faz parte.


E que dizer da excelente pabloba de Biana, a cidade irmã.


O Veronique comportou-se à altura dos seus pergaminhos e das suas tradições marinheiras.
A tripulação, essa, também à altura, na navegação e na degustação.
Cinco dias de Mar memoráveis.
A salientar o Porto de Recreio do Monte Real Clube de Yates de Baiona, top, os gins do MRCYB e do Mar y Arte, os variados de marisco de Baiona, a recepção em Biana, a cidade irmã, igual a si própria e o sr Carlos, top, a passagem pelo Douro, rápida, demasiado, mas mágica, o nevoeiro do Douro à Torreira, apesar do vento fresco que nos empurrou e, the last but not the least, a entrada na barra da nossa Ria e da tradicional garrafa de chaimpain que só não foram duas, porque os meus gémeos estava na Praia Velha. (não os consegui ver apesar dos binóculos, mas sabia que estavam lá)

domingo, junho 16, 2013

Marisqueira Aqui d'El Mar

Arribados à Nazaré depois de uma travessia desde a Berlenga, no mínimo radical, amarramos as embarcações na marina do Clube Naval da Nazaré onde, face aos bons ofícios da Avela, fomos muito bem recebidos.
O Adolfo Paião, skipper do Rifon, fez questão de nos levar a jantar ao Aqui d'el Mar, de que já tinha ouvido falar, mas que ainda não conhecia.
O Médico de Bordo quando lhe comunicaram que a Republica afinal  não tinha caído e que, por isso mesmo, teria de brindar com chaimpain.

A Marisqueira Aqui d'El Mar é, de facto, das melhores que conheço e na relação qualidade preço é mesmo a melhor, de longe, face à concorrência.
O jantar foi magnifico, com percebes, sapateiras, gambas de diferentes maneiras e feitios e cerveja, muita.
No fim apeteceu-nos uma sobremesa e pedimos uma.
Espanto, os empregados e depois o patrão, impantes, questionavam-nos: "...os senhores não sabem ler ??, lá fora está escrito MARISQUEIRA Aqui d'el Mar, não está escrito SOBREMESEIRA Aqui d'el Mar. Não temos sobremesas..."
Nem doces, nem fruta, nem nada. Aquilo era, diziam, uma Marisqueira, tinham marisco, não tinham sobremesas e, se queriamos sobremesas teriamos de ir a outro lado.
Bem, pelo menos um cafezinho, solicitamos.
A resposta foi a mesma, aquilo era uma MARISQUEIRA, não era uma cafeteria. Cafés seria noutro lado, alí era MARISCO.
Já era mania,mas insistimos no café.
O patrão, por fim, vergado ao nosso pedido, mandou servir o café. Trouxeram nos então uns pequenos copos com o que nos parecia ser café de saco. Provamos e....era cerveja preta. Aquilo, repetiam, era uma MARISQUEIRA, não era uma CAFETERIA.

sexta-feira, junho 14, 2013

Fundear na Berlenga

Como já disse, arribei à Berlenga há uma semana atrás,  pelas três da manhã, numa noite de Lua Nova, escura de breu.
Os fundos da Berlenga são, na maioria, rochosos e fundear sem arinque é manhoso e arriscado para a conservação dos ferros.
O meu Amigo Aníbal Marques  por alí viveu uns tempos, o Pai foi faroleiro na Ilha Mágica e ensinou-me os poucos areões bons de fundeio.
O meu parceiro de viagem, primeira à Berlenga, não gostou muito das minhas variações às escuras a roçagar a falésia à procura do local exacto, mas umas dezenas boas de Berlengadas fizeram com que não errasse um metro a largar o ferro.
Tença de areia e sonda de 10 a 12 metros. Corrente nula e acesso a terra fácil pela Racha da Inês.

Ficam o local e as provas.



quarta-feira, junho 12, 2013

Berlenga 2013

Já conheceu melhores dias o Cruzeiro Berlengueiro, este foi o XVIII, mas, como todos os outros, este também foi mágico.
Começou com as pressas costumeiras, a correr desde a empresa até ao Oudinot, com passagem pela Boavista e pelo abastecimento de combustível, que quem vai para o Mar avia-se em terra.
Com toda a pressa o almoço ficou em terra esquecido e, impante, o Véronique fez-se ao Mar pelas 15h00m de sexta feira, rumo à Berlenga, com o piloto automático fora de serviço e eu a tentar, com êxito, pô-lo a funcionar.
O Mar esse estava radical, com ondas dos quadrantes Oeste de 2 a 3 metros. O Véronique, com a vela grande e a máquina a ajudar, andava entre os 6 e os 7 nós.
Pelas sete da tarde resolvemos fazer uma merendazinha que acompanhamos com uma garrafinha de 4 Ventos, deliciosa.
Caiu-me porém na fraqueza e inaugurei a temporada dos enjoos no Mar, vomitando copiosamente, como se não houvesse amanhã, uma 4 ou 5 vezes.
Por fim lá melhorei e o Véronique continuou a galgar aquelas ondas, cada vez mais trapalhonas, fazendo-me equacionar a hipótese de não ficar na Berlenga aquela noite e rumar a Peniche.

A manobra de fundear, numa noite de Lua Nova escura como breu, ao abrigo da ilha mágica, foi de mestre. Dei com o ilhote da Inês de imediato (eram 3 da manhã e os geradores da ilha já tinham sido desligados), largamos ferro com maestria e algum receio do meu parceiro de viagem que, não conhecendo aquele recanto, via o Véronique a pairar em cima das rochas e da falésia.



O restinho da noite foi para descansar e para pescar, tendo ido a terra apenas pelas 11 da manhã, para um passeio até ao Forte de São João Baptista, ou quase, e para o almoço.

Entretanto chegaram os veleiros de Lisboa e os restantes da nossa Ria.

No almoço na Berlenga, para além dos percebes, as sardinhas, as primeiras da temporada, estavam simplesmente a raiar a excelência.



Seguiu-se a viagem até à Nazaré, tradicionalmente radical. E esta não foi excepção. Vela grande e máquina levaram o Veronique aos 7 nósitos. O Mar, esse, continuava cavado a grosso, como convém.
Arribados à Nazaré e arrumadas as embarcações, seguiu-se uma mariscada no Aqui d'El Mar, das melhores que já malhei.


A viagem para a Figueira foi sem história, estai pequenino, vela grande, máquina e vento de Oeste.



Largados que fomos do porto da Figueira da Foz, rumou-se 15º verdadeiros para a barra de Aveiro, com vento bonançoso de WSW.
Pelas 1300, já ao largo da Tocha e em frente ao Finfas, almoçou-se com alegria os restinhos das refeições, redon gourmet como soi dizer-se, pondo a baixo uma garrafa de Quatro Ventos que o MMMMMBAS Veiga tinha guardada para uma doença e que se decidiu agora mesmo dar por consumida.
Já bem perto da Barra, ao largo da Costa Nova, fez se a ultima das fotografias da epopeia.


quarta-feira, abril 24, 2013

Europa mesmo

(expressão da cantora brasileira Marisa Monte que, a uma pergunta de um jornalista disse que a seguir a Lisboa ia para a Europa. O jornalista lembrou-a de que já estava na Europa e a cantora retorquiu pronto...Vou para a Europa, a Europa mesmo)

Assim (Grande Marisa Monte), deixo-vos com uma passagem do ‘Um Estranho em Goa’ do Zé Eduardo Agualusa e tirem vocês as conclusões que entenderem:

 

‘…..
--Hoje sente-se indiano?
--Não, indiano não, mas às vezes sinto-me goês.
--E Português?
--Isso já não sei. O que é um Português?
A pergunta apanhou-me desprevenido. Hesitei:
--Bem, antes de mais, suponho, um europeu.
--Os Portugueses, europeus ?-Riu-se com mansidão.
--Nunca o foram. Não o eram antes e não o são hoje. Quando conseguirem que Portugal se transforme sinceramente numa nação europeia o País deixará de existir. Repare : os Portugueses construíram uma identidade por oposição à Europa, ao reino de Castela, e como estavam encurralados lançaram-se ao Mar e vieram até aqui, fundaram o Brasil, colonizaram Africa. Ou seja, escolheram não ser europeus.


….’

terça-feira, abril 23, 2013

De Cascais aos Açores, 2004, no Tibariaf

20 de Julho de 2004


Depois das dez da manhã o vento caiu muito. Soprava de NE muito fraco, cerca de 10 nós. Estávamos a meio caminho entre o Continente e a ilha de S.Miguel.

Pela primeira vez na viagem içou-se o balão, mas mesmo assim o barco navegava apenas a 3 nós. A fraca velocidade permitiu-nos uma boa pescaria, tendo se pescado dois dourados e um atum que fizeram as delicias das refeições desse dia e seguintes. Permitiu também umas cabeçadas no Atlântico, que estava com uns bons vinte e alguns graus, delicioso, apesar da grande quantidade de caravelas portuguesas que infestavam aquelas aguas.

Aproveitou-se para confeccionar uns bifes de atum com oregãos e muito alho e sumo de limão que acompanhamos com batatinhas porqueiras. Aliás, durante esta refeição o nosso skipper apanhou um espadim azul, lindíssimo, de 2 metros, que por questões de sensibilidade ambiental, a tripulação decidiu devolver ao mar.

Ao jantar confeccionou-se, face à abundância de peixe, uma caldeirada de atum e dourado que estava deliciosa.

Enfim um dia muito calmo, nada prenunciava o dia seguinte.

Como o meu quarto era o das quatro da manhã às oito, deitei-me cedo.

21 de Julho de 2004

Ainda não eram duas da manhã acordaram-me porque uma das baterias fervia. O rádio SSB tinha sido ligado sem grandes cuidados e na placa de isolamento de cargas tinha sido queimado um díodo, tendo o regulador de tensão deixado de funcionar. Lá juntei as minhas qualidades de engenheiro electrotécnico às de marinheiro e resolvi, enfim, remediei, o melhor que pude, o problema, já com a sensação que o meu amigo José Angelo me tinha descrito antes da largada, de estar dentro de uma máquina de lavar roupa, das antigas.

Na verdade o mar começava a alterar-se. O barómetro tinha descido para os 1001 mbar e o vento crescera.

Até cerca das 11 horas UTC fizemos vela, e de muito luxo. O vento tinha rodado para SW e tinha já força 4 ou 5, o mar era do mesmo quadrante com 2 a 3 metros.

Chegamos aos 6 nós de odómetro, em bolina cerrada, com o mar sempre a crescer e o barómetro a descer.

Chamamos pelo VHF a flotilha que nos acompanhava, mas só o Maibar nos respondeu. Já há dois dias que tínhamos perdido o contacto rádio com o resto da flotilha.

Nessa altura éramos uns fortalhaços. Mar a crescer e nós à vela.

Mas o mar cresceu mais e o barómetro desceu mais,  aos 998 mbar. Era agora de cavado a grosso, trapalhão.

De duas em duas horas comunicávamos com o Maibar, que se situava a cerca de 20 milhas mais ao Norte.

Não se almoçou.

Dentro do Tibariaf andava tudo pelos ares. Nada estava no sitio. O mar era agora grosso de 6 metros com umas ondas de vez em quando a passar os 8 metros, o vento de força 6 e 7. Íamos com a vela grande só com um metro de fora e a genoa com igual área, centrada a meia nau, só para equilibrar, e avançávamos a motor, muito devagar, a caturrar.

Por volta das 16 horas UTC o Maibar comunicou-nos que tinha conseguido falar com o Comandante José Inácio e que, segundo este, a depressão em que nos encontrávamos se dirigia para NE, pelo que nos aconselhava a rumar a Sul.

Não foi preciso ouvir duas vezes. Saímos dos 270 em que navegávamos e tomamos o rumo 190.

Ao cair da noite o barómetro começou a subir, estavam agora 1005 mbar, e o mar a descer. Mesmo assim ainda de 4 metros e cavado.

Mas duas refeições sem nada é que não.

Prepararam se então uns ovinhos cozidos, com agua de cebola para ficarem castanhinhos, que se jantaram com prazer e com duas garrafas de vinho tinto de Torres Vedras que o nosso Skipper fez o favor de trazer para nosso gáudio.

Às 23 horas retomámos os 270 de rumo. O Maibar, com um companheiro magoado (felizmente não era nada) meteu máquina a fundo e rumou directo a Ponta Delgada.

Entre nós e a Ponta do Arnel agora só havia o imenso azul.

24 de Julho de 2004

O mar já tinha baixado muito, era agora bonançoso. A tempestade já tinha passado.

Ao sexto dia de mar, tínhamos largado de Cascais no domingo passado e navegado mais de 600 milhas, já estávamos completamente habituados às rotinas diárias do nosso veleiro.

Ao fim da tarde avistamos o Harmony na nossa amura de estibordo, a cerca de 5 milhas. Estava apenas com a genoa e navegava muito pelo norte. Creio que contornou pelo norte S.Miguel para entrar em Ponta Delgada por Oeste.

Por nós mantivemos o rumo, mais para Sul, embora o vento não ajudasse muito esta opção, mas era o caminho mais directo.

Ao jantar confeccionou-se uma magnifica ‘ esparguetada ’ de atum, com tomates, pimentos e ovos, receita recordação de uma viagem a Utrech há muitos anos.

O meu quarto era o das 20 às 24 pelo que depois do jantar permaneci no poço para continuar o meu serviço. Os meus companheiros de viagem, porque iam ‘ pegar ao serviço ’ durante a noite, foram ambos descansar.

Na imensidão do mar sabia que por volta das 23 e 30 deveríamos estar a 25 milhas da ponta do Arnel e, como o alcance do farol era de 25 milhas, deveria ser naquele instante que, depois de 6 dias de mar, veríamos terra pela primeira vez.

E assim foi. Às 23h30 do dia 24 de Julho vi, sozinho no poço, o relampejar do foco de luz do Arnel a cortar o escuro da noite.

Sensação única aquele instante. Não que a viagem fosse desagradável ou que não estivesse a tirar um enorme prazer daquela situação, mas, apesar das tecnologias de orientação disponíveis, ao fim de 700 milhas sem pontos de referencia, avistar a ponta do Arnel no preciso momento e no preciso local que se programou, é único.

Ainda me mantive ‘de serviço’ até às 2 da manhã, com a excitação da aproximação a terra. Cada minuto, cada milha, a visibilidade melhorava. Já via claramente os contornos da parte oriental da ilha. Estávamos a chegar. Conseguíramos fazer 700 milhas sem problemas, com muito livros lidos, muitas refeições partilhadas com muito prazer, muitos quartos de vigília, muito mar para trás de nós.


Entre Angra e a Horta

Angra do Heroísmo é a cidade mais linda onde alguma vez estive.

Dois dias de descanso a visitar a cidade, sempre debaixo de chuva e sol e por vezes muito vento.

À hora marcada o fiscal da comissão de regata veio selar-nos o engate do motor. A partir dali apenas podíamos ligar a máquina para carregar baterias, se engatássemos quebraríamos o selo e seriamos desclassificados.

Saímos da marina a reboque até fora da barra, onde içamos as velas e ficamos a fazer bordos, à espera da largada.

A bóia de desmarque, a barlavento, estava a menos de cem metros da ilha e exigiu dois ou três bordos para a contornarmos.

A parte regateira da flotilha engalfinhou-se nessa bóia. Nós, calmamente, contornámos no fim de todos. A regata era até à Horta, 70 ou 80 milhas conforme a opção de rumo, não valia a pena passar ali com a ‘molhada’.

As opções de rumo eram pelo canal, entre as ilhas de S. Jorge e do Pico, ou pelo Norte. Pelo Norte eram mais 10 a 15 milhas, pior mar, mas....mais vento.

Apenas 4 embarcações optaram pelo Norte.

Pela nossa parte vínhamos em regata especial com o ‘Gávea’ do Almirante Fausto Abreu, que trazia na sua tripulação um filho de Aveiro, neto do Capitão Guerra, meu particular amigo e companheiro do meu pai nas lides do bacalhau na Terra Nova. Com o Gávea havia ainda um leitão em jogo.

A nossa opção pelo Norte foi a acertada. O mar estava mauzinho, 4 metritos de NW mas o vento estava de luxo. De NW também, força 6.

E lá seguimos em bolina folgada a 9 nós de odómetro.

À meia noite estávamos na Ponta dos Rosais, extremo ocidental da ilha de S. Jorge. O vento caíra um pouco, e, quando tomamos o rumo do Faial, a popa arrasada em que seguíamos tornou a navegação incómoda.

À medida que a noite avançava o vento ia caindo e aquelas ultimas 15 milhas foram penosas, com a retranca a balançar de bordo em bordo, com ensaios de mareação para ambos os bordos.

A verdade é que quase não avançávamos.

Não sabíamos, mas nessa altura apenas nós e o Gávea estávamos em regata. À nossa frente entraram duas embarcações e todos os que optaram pelo canal tinham desistido, excepção para o Gávea, por falta de vento.

Às 6 da manhã estávamos a 5 milhas da Horta e comuniquei via rádio a nossa posição à comissão de regata, como era nossa obrigação.

Às 8 estávamos ainda a 3 milhas da Horta com sucessivas cambadelas da retranca. Era difícil continuar, o barco estava a sofrer e ainda tinha  de fazer 900 milhas até ao continente.

Desistimos. Comunicamos via rádio que iríamos ligar o motor e assim fizemos, a 3 milhas da Horta e do Peter’s.

Só soubemos depois que praticamente toda a flotilha tinha desistido e que o Gávea ainda estava no Canal, a calcar ovos, à espera de vento.

A entrada na Horta foi triunfal. Foi o culminar daquela viagem. Eram 8 da manhã do dia 31 de Julho de 2004.

O João Luís degolou uma garrafa de champanhe na névoa ligeira, brindámos duas e três vezes, cumprimentamo-nos, atracamos e fomos dormir.

O Peter’s e os seus gins ficavam para dali a bocado.........